GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

A sessão da Câmara Municipal de Várzea Grande foi marcada por um bate-boca entre o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), e o vice-presidente, Bruno Rios (PL), nesta terça-feira (20). Com o microfone ligado, Wanderley disparou a frase “você vai pagar”, provocando a reação do colega, que afirmou não aceitar ameaças dentro do Legislativo.

A discussão ocorreu poucas horas após a deflagração da Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção e outras irregularidades relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara.

O início do confronto foi captado pelo sistema de som do plenário. Ao perceber a fala de Wanderley, Bruno reagiu, mas parte da conversa ficou inaudível após o corte do áudio. Em seguida, novos trechos da discussão foram registrados.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

“Não tenho culpa, não”, afirmou Bruno. Wanderley respondeu: “Você vai saber na hora certa”.

O vice-presidente voltou a contestar a postura do presidente e declarou que não aceitaria ser ameaçado. “Ninguém vai me ameaçar aqui, não”, disse.

Na sequência, Bruno elevou o tom e afirmou que não poderia ser responsabilizado pelas ações de outros parlamentares.

“Faz o que você quiser! Eu não vou aceitar, não. Vai ameaçar outro. Eu não tenho nada a ver com isso, as ações são de vocês. Eu respondo pelos meus atos, não os de vocês”, declarou.

Operação investiga suspeitas envolvendo vereadores

A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada na manhã desta terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação tem como alvos 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá.

A apuração começou após uma denúncia sobre a suposta atuação de um grupo formado por vereadores e outros agentes públicos, que estaria envolvido em práticas como ameaças, extorsão, chantagem, corrupção e cárcere privado.

Entre as suspeitas investigadas está a de que Wanderley Cerqueira teria organizado um confinamento de parlamentares em uma chácara de Várzea Grande, dias antes da eleição da Mesa Diretora. Conforme a denúncia, o encontro teria reunido vereadores que o apoiavam para evitar interferências e possíveis mudanças de posicionamento antes da votação.

As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, comprovação de culpa dos envolvidos.

Wanderley e outros 12 vereadores de Várzea Grande foram alvos da operação. Bruno Rios não está entre os investigados.

Disputa pela presidência da Câmara

O conflito entre os dois parlamentares também ocorre em meio à disputa pela presidência da Câmara para o biênio 2027/2028.

Wanderley venceu a eleição antecipada para comandar a Mesa Diretora, derrotando o vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL).

A votação havia sido autorizada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Entretanto, em 21 de maio, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou o resultado após uma reclamação apresentada por Bruno Rios.

Na decisão, o ministro apontou que a eleição deveria respeitar o prazo estabelecido pelo Supremo, que permite a realização da escolha somente a partir de outubro do ano anterior ao início do mandato.

Com a operação e o novo confronto público entre os parlamentares, a disputa política em torno do comando do Legislativo municipal ganhou mais um capítulo

FONTE/CRÉDITOS: GABRIEL SOARES